quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Desenvolvimento humano e a nova mente ambiental


Há milhões de anos a natureza desenvolve mecanismos internos de equilíbrio e auto-regulação, que se mantiveram em funcionamento pleno até o Homem iniciar o seu desenvolvimento tecnológico, criando equipamentos, manipulando o fogo, estabelecendo a agropecuária e tornando seus povoados cada vez mais sedentários.
Os caminhos do desenvolvimento foram promissores para a espécie, principalmente considerando os pouco mais de quatro mil anos de história ocidental: triplicou-se a expectativa de vida com o entendimento das ervas e os avanços da medicina; o domínio sobre os materiais proporcionou meios de defesa, transporte e melhorias na agropecuária; o conhecimento deixou de ser inato, comportamental, como em outras espécies, para ser transmitido de modo formal, através da escrita ou referências sociais, permitindo os avanços nas ciências e tecnologias através das gerações.
Esses benefícios conferiram ao Homem vantagens reprodutivas, e conseqüentemente, permitiram o aumento de sua população. Contudo, houve um custo histórico, principalmente a partir da revolução industrial, que está sendo cobrado dois séculos depois: recursos naturais não renováveis estão se esgotando e mesmo os renováveis, como ar e água, estão chegando a limites operacionais, de acordo com órgãos governamentais, ONGs e institutos de pesquisa.
Em 30 anos, muito de discutiu sobre as questões ambientais, tendo como marco a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento em 1992 (Rio 92) e surgiram propostas de desenvolvimento sustentável, como o plano de ação da União Européia, com metas estabelecidas para o incentivo ao desenvolvimento e uso de tecnologias ambientais até 2010. Até esses movimentos, a indústrias e governos se preocupavam em reduzir o impacto da poluição reduzindo os efeitos, a exemplo dos filtros e cubas de concreto e aço, mas não pela redução das causas da poluição.
Para os recursos não renováveis, têm-se observado tecnologias emergentes que se tornarão financeiramente viáveis quando tais recursos se tornarem escassos. A exemplo do petróleo, sabendo o volume dos reservatórios pode-se manter um preço, no momento, abaixo do custo com pesquisa e desenvolvimento de energias como a eólica e a solar. Quanto aos recursos renováveis, espera-se o uso consciente, que fique dentro da capacidade de suporte do planeta Terra, ou seja, que o consumo, degradação e renovação obedeçam a uma rotina equilibrada.
De acordo com RAPLEY (2006), não bastam as medidas políticas, técnicas ou comportamentais para se estabelecer o desenvolvimento sustentável, mas também deve ser incluído o controle populacional, no sentido de combater a superpopulação. Apesar dos conflitos éticos e morais, ao autor afirma que isso deve ser discutido em prol da qualidade de vida das futuras gerações.
Considerando a possibilidade da humanidade estar seguindo uma trajetória de consumo de recursos e formas de descarte de resíduos insustentáveis, tecnologias, políticas, indústrias e sociedade devem somar esforço conjunto para garantir a sustentabilidade do planeta. O presente trabalho pretende apresentar alternativas exeqüíveis para tal desenvolvimento sustentável.
Alternativas
O cenário de insustentabilidade atual foi formado por um conjunto de variáveis, como o desconhecimento da físico/química dos compostos, a avareza dos empresários, o descaso e a permissividade das autoridades, bem como a falta de comprometimento e engajamento da sociedade.
Pequenos hábitos pessoais, como fechar a torneira ao escovar os dentes, desligar as luzes ao sair do cômodo e usar o transporte coletivo ou a bicicleta para ir ao trabalho têm sido adotados por pessoas ao redor do mundo. São louváveis, mas não chegam ao ponto do desenvolvimento sustentável. O segundo momento desse movimento do âmbito pessoal, está na consciência do consumo, no qual os consumidores devem comprar somente aquilo que efetivamente será consumido, preocupando-se com a mão-de-obra e os materiais empregados na preparação dos bens de consumo adquiridos, e a origem, valorizando o desenvolvimento local, bem como com o tipo de material (orgânico, reciclável, biodegradável, atóxico). Por fim, as pessoas tem que voltar a ser cidadãs, e lembrar que as leis regem um país e, tais leis são redigidas pelos seus candidatos. Portanto, faz-se necessário maior envolvimento político, no sentido da cobrança e da auditoria sobre os poderes executivo e legislativo.
Quanto ao que RAPLEY (2006) se referia ao controle populacional, pode-se dizer, com base nos dados dos institutos censitários, de que a população está envelhecendo, não somente pelo aumento da expectativa, mas também pela redução de nascimentos. O IBGE (apud. ESTADÃO, 2008) prevê estabilização da população brasileira em 30 anos, por exemplo. Nesse caso, apesar da Terra estar chegando em seu limite operacional, as famílias já estão em um movimento de redução de prole, o que contribui, de forma inconsciente, para a preservação dos recursos naturais. Pelas teorias ecológicas, é possível explicar tal acontecimento, com base nos conhecimentos sobre espécies estrategistas r e K. As primeiras, se preocupam com o número da prole, sem desgaste com a manutenção dela. Normalmente se aplicam a ambientes de baixa densidade. As K, por sua vez, devido a pressões de alta densidade populacional, investem no indivíduo, tendo proles reduzidas, mas com capacidade de disputar por recursos escassos. Nesse contexto, os humanos passam cada vez mais de r para K estrategistas, permitindo uma estabilização natural da população.
O setor que mais contribui com a poluição do planeta é o industrial, que utiliza recursos renováveis ou não, contribuem diretamente com a emissão de gases de efeito estufa, poluem os corpos d’água com seus efluentes e, em muitas situações, prejudicam a saúde dos moradores locais e o equilíbrio do bioma local. Em alguns casos, algumas brechas legais ou a corrupção são utilizadas para burlar regulamentações ou normas ambientais. Para este setor, além do aumento no rigor das leis e da fiscalização, devem ser encontrados subterfúgios técnicos (inovação) para que se possa estabelecer uma indústria cada vez mais limpa, com a redução de impacto nos processos do negócio, e não no final da cadeia produtiva.
Considerando os avanços sociais que a tecnologia ofereceu para a sociedade, devem ser consideradas soluções tecnológicas para alcançar sustentabilidade. Além de permitir a limpeza de processos com equipamentos mais eficientes, o uso de materiais menos poluidores ou recicláveis, bem como a geração de energia limpa, a tecnologia tem condições de oferecer a toda a sociedade requerimentos mínimos de vida: ração diária (com aproveitamento máximo de grãos, geneticamente modificados ou não), água de reúso 100% potável, medicamentos e vacinas sintéticas, e educação (a distância, para reduzir emissões). Inclusive, a partir do momento em que a educação atinge a maioria da população e não há fome ou sede, forma-se um patamar social de possibilidades infinitas.
O atual cenário de crise pode representar avanços no desenvolvimento sustentável. Primeiramente, pode-se considerar a necessidade imediata de cortes de custos, que permitem a substituição de equipamentos antigos pelos de maior eficiência, a migração de processos de negócios para o formato eletrônico, e até mesmo a redução de custos com passagens e seguros com o uso de videoconferências e ferramentas remotas de colaboração. Nesse mesmo sentido, tecnologias de reúso de água e aproveitamento energético são aplicáveis, embora sejam investimentos para médio e longo prazo. Em uma análise mais especulativa, a queda de juros pode representar investimento nas tecnologias ambientais: uma vez que o capital de risco apresenta grande fragilidade, investidores poderão se interessar em aplicar o dinheiro em produção tecnológica, inclusive no desenvolvimento de novas tecnologias, que poderão render patentes e royalties. Embora as inovações continuem sendo um negócio de risco, o resultado final é um produto, e não o fruto de uma especulação.
Envolvendo os quatro elementos anteriores (sociedade, indústrias, tecnologia e investidores), há um quinto, parte integrante do processo: a educação. Seja pela mídia, seja pela boa vontade, a informação sobre a importância do desenvolvimento sustentável tem que alcançar o maior número possível de pessoas. Isso pode ocorrer de forma competitiva, como foi o caso do selo “Dolphin Safe” do atum, utilizado para retirar os japoneses da concorrência do pescado nos anos 80 nos EUA, ou de forma efetivamente educativa, apresentando os ciclos biogeoquímicos e demonstrando como cada pessoa faz parte de um grande equilíbrio (dinâmico) que precisa ser preservado.
Nessa análise da busca pelo desenvolvimento sustentável, também devem ser considerados os desastres naturais, decorrentes ou não pela ação do homem, que podem contribuir para a resolução de problemas ambientais. Por exemplo, caso o aquecimento global continue no ritmo de crescimento atual, a Groenlândia poderá contribuir para a elevação de até sete metros do nível do mar (RINCON, 2006). Considerando que a cerca de 80% das populações estão a menos de 100 km das costas, os sete metros a mais de mar poderiam alagar cidades inteiras, matando centenas de milhares de pessoas e forçando a migração de milhões. Nesse tipo de catástrofe, poderia ser considerada uma reconstrução limpa, sustentável, de uma nova sociedade. Fazendo uma comparação de escala, os 4,65 bilhões de anos da Terra fazem os 500 mil anos da história do Homo sapiens parecerem pouco. Durante milhões de anos a Terra passou por glaciações, grandes secas, tempestades infindáveis e, a passagem do Homem poderá se tornar somente mais uma camada nos extratos minerais desse planeta.
Conclusão
Tentei traçar um panorama de sugestões para o desenvolvimento sustentável, não indicar soluções.
Parece haver medidas cabíveis para alinhar a sociedade com a sustentabilidade, mas isso pode requerer mudanças de hábito, de consumo e vão exigir maior engajamento das pessoas. Afinal, um problema coletivo não pode ser resolvido por poucos.
A sociedade já está em um momento de mudança, no qual as pessoas começaram a perceber que não haverá qualidade de vida para seus netos, e o futuro depende de ações imediatas, desde a mudança de simples hábitos em casa ao atendimento rigoroso das leis e normas pertinentes.
Para saber mais
ESTADÃO. População brasileira deve estabilizar em 220 milhões. Disponível em:http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,populacao-brasileira-deve-estabilizar-em-220-milhoes,232974,0.htm 2008. Acesso em: 8 mai. 2009.
RAPLEY, C. Earth is too crowded for utopia. Disponível em:http://news.bbc.co.uk/2/hi/science/nature/4584572.stm. 2006. Acesso em: 08 mai. 2009.
RINCON, P. Greenland ice swells ocean rise. Disponível em: http://news.bbc.co.uk/go/pr/fr/-/2/hi/science/nature/4720536.stm. 2006. Acesso em: 08 mai. 2009.

Padrões de Mercado e a Sustentabilidade


Os produtos Apple são o sonho de consumo de muita gente. Afinal, além de terem um design peculiar, eles adiantam (e limitam) as necessidades do seu consumidor, fazendo com que o seu tempo seja dedicado para o que ele gosta ou precisa fazer – ao invés de ficar perdendo tempo em configurações e ajustes (como nos Unix like e Windows da vida). Tenho um amigo que diz: “Se quiser introduzir a computação a um idoso, dê um Apple.”
Contudo, há um preço embutido nesses produtos: a sua fidelidade. Para colocar músicas em um iPod, por exemplo, você precisa usar o iTunes, ou ficar hackeando o aparelhinho e torná-lo um Frankenstein. Até o bluetooth utiliza um padrão proprietário, que impede a tão bela promiscuidade oferecida por esse meio de conexão.
Proposta de consumo
Não estou oferecendo marcas concorrentes, só quero aproveitar o espaço para propor um modo diferenciado de consumo. Enquanto o mundo inteiro busca padronizações e interfaces que forneçam interações entre os mais diferentes dispositivos, a Apple segue na contramão, fechando seus aparelhos e consumidores em seu círculo. Há poucos anos, deram um grande passo adotando o hardware Intel-like (o que permite a instalação de outros sistemas operacionais como Windows e Linux). Como disse, não estou anunciando marcas específicas, mas recomendando aquelas que utilizam padrões de mercado.
Um pequeno caso hipotético: imagine se o fabricante do seu carro fizesse um encaixe exclusivo de pneus, em sua roda exclusiva. Quando você compra, adquire status por ter algo exclusivo (e pagou mais caro por isso). Contudo, em caso de troca ou manutenção, você estará limitado às opções de pneus que encaixam na sua roda exclusiva – e sujeito a preços extorsivos. Em um sistema padronizado, diferentes fabricantes podem fazer uma infinidade de rodas e pneus que você poderá escolher livremente, e encaixar em qualquer dos seus carros. Além disso, peças usadas podem ser recondicionadas para serem usadas em outros carros.
Esse exemplo é simples, e pode ser até um tanto infantil, mas ele demonstra como os padrões de mercado auxiliam no estabelecimento da sustentabilidade. Um fabricante terá a certeza de que o seu produto será comprado por critérios genéricos – preço, qualidade dos materiais, mão de obra utilizada (CLT, escrava, infantil), durabilidade – e não porque somente ele fornece. Em médio prazo, isso é revertido em maior qualidade de produtos e preços competitivos.
Estamos vivendo uma era de consumo exclusivista (ou altamente personalizado, como preferir): vestuário, equipamentos, automóveis, mobiliário, e até experiências, como passeios turísticos exclusivos (quantos podem fazer um tour espacial?). Mas há limites para a exclusividade. Todos temos diferenças (mínimas, mas temos) em nosso DNA (exceto gêmeos univitelinos). Cada pessoa é única no ponto de vista molecular. Contudo, nossos braços sempre surgirão na cintura escapular, e nossas pernas na cintura pélvica.
Os padrões garantem que os sistemas podem trocar informações (ou até mesmo peças, como cartões de memória e roupas :-) ) de forma simplificada, além de facilitar a incorporação de sistemas legado (padronizados) às novas tecnologias. Com a visão de futuro, os padrões capacitam os fabricantes a fazerem pequenas alterações em seus processos produtivos para incorporar novas tecnologias, o que normalmente reduz custos e consumo de recursos.
Caso de sucesso
A web é um grande caso de sucesso da padronização. Não importa o browser que você venha a utilizar, se a página visitada obedecer aos padrões, você terá acesso às suas informações. E essa é somente a ponta do iceberg.

Economia e Ecologia: alguma semelhança?


Das grandes navegações aos movimentos de sustentabilidade
Desde as grandes navegações do século XV percebe-se degradação ambiental associada às relações internacionais de comércio. Centenas de milhares de hectares foram derrubados em territórios colonizados para o plantio de culturas agrícolas de interesse europeu, como café e cana de açúcar. Naquela época, foram raros os casos em que houve planejamento ou demanda para reduzir impactos ou adotar medidas compensatórias. Um exemplo brasileiro foi o caso da extração do pau brasil, que após intensa exploração predatória passou a ter o corte regulado na região de Pernambuco por uma regulamentação da coroa portuguesa em 1612. (DIAS, 2006)
O uso indiscriminado de recursos naturais ocorreu até a segunda metade do século XX, quando começaram a ser percebidos efeitos globais da ação humana, como aumento da temperatura global, chuvas ácidas e os efeitos de bioacumulação e bioamplificação de componentes químicos na natureza e em populações humanas. Entidades de diferentes países iniciaram diálogos quanto a conservação da biosfera e, para o comércio internacional, as primeiras definições ocorreram recentemente, com marco principal na discussão do GATT na rodada do Uruguai (1986 a 1993). Nessa, fora constituída a Organização Mundial do Comércio (OMC) e aprovada a criação do Comitê de Comércio e Meio Ambiente (CCMA), que já apontava algumas necessidades de sustentabilidade. Embora não tenha efetivado realizações expressivas, oficializou o assunto ambiental na OMC. (SILVA, 2008)
Balizados por acordos internacionais, os países ao redor do mundo desenvolveram um sistema de comércio globalizado, permitindo relações além das fronteiras políticas e, muitas vezes, culturais. As relações ocorrem dentro de regras estabelecidas entre os países ou terceiras partes e, de um modo geral, são implementadas pelo uso de barreiras tarifárias, técnicas ou fitossanitárias.
Há três regras fundamentais de funcionamento do comércio exterior: protecionismo, livre comércio e o comércio regulado. O primeiro, tem histórico de uso que favoreceram degradação e/ou preservação. Como exemplo próximo, pode-se citar a legislação dos EUA que exigia que a gasolina importada tivesse menor índice de poluição que a nacional, bloqueando a entrada do produto brasileiro e venezuelano. Nesse caso, as indústrias americanas tiveram espaço para poluir e, em um segundo momento, aperfeiçoar a técnica para uma produção mais eficiente e menos poluente. Venezuela e Brasil tiveram ganho de causa na OMC em 1995, derrubando o bloqueio dos EUA pelo princípio da isonomia no tratamento de produtos internos e importados. (OMC, 2009 a). O livre comércio também oferece um dualismo entre as questões econômicas e ambientais, pelo fato de permitir a transferência de indústrias poluidoras para países com menores exigências ambientais, como foi pensado que ocorreria com o México na adesão ao NAFTA (GALLAGHER, 2004), e como ocorreu na importação de lixo tóxico para a Índia (DOWN TO EARTH, 1992). Contudo, essa mesma falta de barreiras tarifárias permite o desenvolvimento e a preservação ambiental, a exemplo do acordo comercial entre os EUA e Chile, que prevê termos específicos de melhoria em ambos os países (USTR, 2009). Já o comércio regulado, dentro dos termos da OMC, embora não possa utilizar rótulos ambientais para a restrição de produtos poluidores, pode ser alvo de medidas de igual tratamento dos produtos nacionais e importados. Nesse caso, utilizando-se leis para elevar os requerimentos ambientais dos produtos nacionais, automaticamente são elevados os dos produtos importados.
As campanhas globais de consumo consciente, balizadas por argumentos técnicos – reais ou passionais –, normalmente responsabilizam o desenvolvimento tecnológico, industrial e comercial pelos problemas ambientais em escala mundial. No mesmo sentido, pelo atendimento a legislações internacionais, os governos podem desenvolver barreiras ambientais que mascaram uma posição protecionista perante fornecedores externos. Contudo, há uma controvérsia no que tange ao desenvolvimento econômico porque as bases do capitalismo não são compatíveis com causas ambientais, exigindo que barreiras sejam quebradas para facilitar a produção e o consumo, que devem ocorrer em larga escala.
Por esse antagonismo, novos modelos de acordos internacionais de comércio e divisão de trabalho devem ser estabelecidos, considerando as necessidades de desenvolvimento econômico sustentável.
Comércio e Ambiente
O comércio entre os países permite a aceleração do desenvolvimento pela possibilidade de um país poder se especializar nas atividades que melhor desempenha, vendendo o excedente para o mercado externo e comprando aquilo que não é produzido internamente. Teoricamente, a especialização na produção permitiria a redução global de preços, otimizando a economia. Porém, observa-se que países que fornecem produtos com intensa mão de obra cada vez mais arrocham salários, aumentando as vendas no exterior, mas reduzindo o poder de compra interno e pagando mais caro pelos produtos importados, com alto custo tecnológico e de capital. O baixo poder aquisitivo, por sua vez, pode levar a uma redução de requisitos para a aceitação de produtos mais baratos, de menor compatibilidade com causas ambientais e de saúde, trazendo danos ao ambiente e às pessoas. Ao contrário dessa expectativa, a abertura comercial visa, na teoria, o aumento do PIB dos países associados e conseqüentes melhorias ambientais.
Em paralelo, o desenvolvimento das tecnologias da informação aproximam as pessoas que, em segundos, podem ser vistas e ouvidas, mesmo a milhares de quilômetros de distância. Esse fato possibilita a divulgação de informações sobre questões históricas, sociais, econômicas e ambientais, favorecendo o agrupamento de argumentos de responsabilidade socioambiental por pessoas comuns, grupos ativistas e governos. Esses atores, de um modo geral, influenciam (ou impõem) as relações da economia com o meio ambiente, seja por avanços nas legislações, por protestos e açõs educacionais ou pelo não consumo. Tais atuações são positivas para o meio ambiente, porque as empresas precisam se adequar a determinadas leis e normas (como a ISO 14001) para alcançar mercados exigentes, que detém a maior parte do capital.
De acordo com a OMC (2009 b), estão sendo discutidas alternativas para estabelecer o livre comércio internacional de produtos e serviços com menor impacto ao meio ambiente e que podem estar diretamente relacionados a melhorias ambientais globais. Isso representaria um grande avanço, porque a competitividade das empresas dependeria das melhorias de seus processos produtivos, adequando-os a padrões internacionais de qualidade ambiental.
Nesse sentido, a OMC assume que são três elementos básicos que devem ser regulados para o alinhamento comercial-ambiental, referente a emissão de gases de efeito estufa: escala de produção; composição de processos produtivos e a comparação entre produtos dos diferentes países; técnicas que viabilizam o aumento de eficiência energética. Os efeitos observados sobre esses elementos não traz efeitos somente para a emissão de gases, mas afetam por inteiro as cadeias produtivas, tornando-as mais limpas. Adicionalmente, com a implementação do livre comércio, deverão ser revisadas as pegadas de carbono relativas ao transporte de bens de consumo. (OMC, 2009 b)
De forma mais prática, os blocos comerciais como NAFTA, Mercosul e União Européia, adotam pautas específicas para a preservação ambiental entre os países participantes, apresentando resultados positivos neste âmbito.
Conclusão
Em decorrência das associações entre o desenvolvimento econômico e a degradação ambiental, têm-se observado o alinhamento das necessidades ambientais e de comério exterior nos acordos mais recentes. Pelo lado da OMC, não há normas específicas, mas os acordos de comprometimento ambiental entre países fornece, pelo princípio do tratamento indiferenciado, requerimentos automáticos com outros países. Assim, espera-se que a nova “vestimenta” do comércio internacional traga melhorias ambientais, sejam elas por medidas protecionistas, por incentivos fiscais, ou pela real conscientização ambiental.
Para saber mais
DIAS, R. Gestão Ambiental: Responsabilidade Social e Sustentabilidade. Ed. Atlas. São Paulo, 2006.
DOWN TO EARTH. Should free trade include toxic dumping? Disponível em:http://www.indiaenvironmentportal.org.in/node/6737. 1992.
OMC – ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE COMÉRCIO. United States — Standards for Reformulated and Conventional Gasoline. Disponível em:http://www.wto.org/english/tratop_e/dispu_e/cases_e/ds4_e.htm. Último acesso em 06/06/2009 a.
OMC – ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE COMÉRCIO. The multilateral trading system and climate change. Disponível em: http://www.wto.org/. Último acesso em 06/06/2009 a.
GALLAGHER, K P. Mexico, NAFTA and beyond. Americas Program, Interhemispheric Resource Center. Disponível em: www.americaspolicy.org. 2004.
SILVA, H I P. Comitê de Comério e Meio Ambiente da OMC: Informações sobre seu papel, atribuições e funcionamento. Pensar, Fortaleza, v. 13, n. 2 p. 205-215. 2008.
USTR – UNITED STATES TRADE REPRESENTATIVE. Chile Free Trade Agreement. Disponível em:http://www.ustr.gov/trade-agreements/free-trade-agreements/chile-fta. Último acesso em 06/06/2009.

A fraude do vale compras e os ataques “modernos”


Esta é antiga, mas sempre vale a pena falar sobre o assunto.
Hoje pela manhã fui agraciado com um e-mail da loja O Boticário (vide imagem). Alguém resolveu me presentear ocultamente e me enviou um vale-presente de R$ 100,00. Fantástico, com esse vale eu poderia comprar bons produtos.
A resposta iria para oboticario@terra.es, e o link era para um executável de controle remoto

Um momento! O Natal já passou, não se ganha nada no carnaval, meu aniversário é somente em agosto, e qualquer pessoa que conheço jamais me mandaria um presente de R$ 10o,00 de forma anônima. Obviamente, estamos tratando de um ataque. O e-mail do remetente era “oboticario at terra.es” (primeira evidência estranha) e ele solicitava (com instruções detalhadas) clicar em um link para acessar um formulário que instalaria um trojan (cavalo de tróia) na minha máquina. Certamente, o trojan se aproveitaria de alguma vulnerabilidade existente no meu browser para que fosse instalado automaticamente.
Antigamente, a intenção de um atacante era simplesmente destruir. Vírus como Chernobil, Anna Kournikova, entre muitos outros, visavam o prazer pela destruição. Temos acompanhado a evolução dos ataques, que agora são silenciosos e buscam ganhar o controle dos computadores alheios.
Esses ataques são:
  • Direcionados
  • Específicos para vulnerabilidades de aplicações distintas
  • Multi-estágio: “Mail2Web2Trojan2Home”, o que quer dizer que o usuário recebe um e-mail que o incita a entrar em um site, que contamina seu computador (transformando-o em um zumbi)
  • Voltados para fraquezas humanas (como este e-mail, que apela para um sentimento de consumo)
Motivos para controlar computadores alheios:
  • Roubar senhas de acesso a sites (para usar ou vender)
  • Difundir pirataria e pornografia infantil
  • Quebrar senhas e criptografia
  • Atacar outros lugares
  • [Quando são controlados muitos computadores] Vender serviços de DDoS (Distributed Denial of Service, ou Negação de Serviço Distribuída” – quando milhares de computadores são usados para atacar um único alvo)
Conclusão
Na verdade, o SPAM que recebemos é somente uma parte de redes internacionais de cybercrime, que podem vender as suas senhas e o seu processamento computacional. Ao receber um e-mail desses, reporte como SPAM (clique aqui e saiba como). Mantenha seus sistemas sempre atualizados, e com as configurações de segurança recomendadas. Preserve suas identidades virtuais, armazenando-as em local bem seguro (nunca no navegador da internet). E, é claro, preste bastante atenção ao conteúdo dos e-mails. Afinal não há almoço grátis.

Happy clicker user – o “clicador feliz”


Continuando o assunto sobre fraudes via e-mail (veja o post sobre SPAM e fraudes multi-estágio), quero relembrar um estudo realizado por pesquisadores da Universidade do Estado da Carolina do Norte (EUA) em 2008 (veja no site da NCSU clicando aqui), que mostra a incapacidade dos usuários de distinguir pop ups verdadeiros de falsos. No estudo, 63 % dos voluntários foi enganado por fraudes.
Na maioria dos casos, não são os fraudadores uns experts no design e na concordância verbal e nominal. Os usuários são os happy clicker users – clicadores felizes – que respondem sim para perguntas do tipo:
  • Você quer ver as fotos da gostosa? Clique aqui!
  • Você quer ganhar dinheiro sem fazer nada? Clique aqui!
  • Seu anti-vírus está desatualizado. Clique aqui para fazer a atualização.
  • … (o que a imaginação permitir)
Por isso, é extremamente importante adotarmos medidas de controle como:
  • Implantar sistemas de endpoint security, com verificação do sistema e do conteúdo navegado;
  • Evitar sites de jogos e pornografia (são raros os que não tem malware);
  • Utilizar sistemas (Windows, Linux) com credenciais de visitante;
  • Manter a atualização dos sistemas;
  • [Como sempre] Ficar atento às propostas indecorosas e de vantagens fáceis.

Free software and botnets


Reading Chris Anderson’s book, “Free”, I regarded to a free business model that aim cybercrimes: free software. Isn’t fantastic use a free software that helps you to edit movies, download stuff, boost up your internet connection or even create that helpful flash presentation you have to show on the next day? Surery it is, but, who pays for this software?  
There are some options:  
  1. The free software could be a limited version of the full/premium/ complete one (the freemium model);
  2. The free software could be a charity of someone  that would like to show his/her work – and/or lives of donations;
  3. The free software is bundled to some kind of sponsor software.
The third case is where the great risk resides. After installing a inofensive free software, you can be asked to install (or it can be automaticaly installed if mentioned on softare statement – the one you click “Next” after NOT read) the sponsor’s software. Can be a tollbar for your browser, a widget for your desktop or simply a useless software that you will never care. On a positive thinking, you will be paying the software just for receiving ads, or working for free to enhance some kind of search tool. On the negative way, consider you will be openig your computer to deploy piracy, illegal content, crack passwords/cryptography, and send spam (as a part of a botnet). I know you would never do this, but your computer will, and in many countries you will be responsible for your computer’s acts. Consider it as a dog. If the dog bites someone, its owner would pay for the caused damage. 
Let me illustrate with an old example… When Kazaa was lauched – on the begining of the piracy on the internet – there was a bundled software, named as “Gator”. This bundled system used all computer resources in order to distribute more piracy, send spam and crack passwords. Lots of people had to format and reinstall Windows on that time because of Kazaa.  
The good news is that the scenario is changing… last week Microsoft achieved a great result against botnets: the right to shut down a global spam networt (Waledac – checkhttp://news.bbc.co.uk/2/hi/technology/8537741.stm). The mechanism is simple: a cracker infect a large number of computers with a remote control software (with free software, for example), then he sell the control for a spammer to send e-mails, or for a DDoS (Distributed Denial of Service) attack:  
Botnet graphic
Image and subtitle extracted from BBC News (http://news.bbc.co.uk/2/hi/technology/8537741.stm, published: 2010/02/25 19:04:36 GMT)

Please let me clarify that I am not saying that all free software is followed by malware. But keep in mind: “There is no free lunch”.  
Protect yourself  
  • Use (and update) anti-spyware and anti-virus programs
  • Install a firewall (and a intrusion prevention system) and turn it on
  • Use trustworthy software – and keep it updated
  • Avoid installing software you don’t know/ understand who pays for it
  • Read the software agreement BEFORE installing it and check if it will install a bundle software
  • Aware your family, friends and coleages about the risks
  • Monitor your computer and stay alert to its behaviour (if its getting slower than usual, or if your internet connection is not allowind you to navigate as usual, check your system health)
Further information